Kundalini Yoga

Sat Nam: A história secreta do Kundalini Yoga - Parte II

(Texto adaptado do blog Shit your ego says, por James McCrae)

Tempos atrás, publicamos o início do post sobre a História Secreta do Kundalini Yoga. Hoje, daremos continuidade com uma sugestão de prática.

A definição de yoga que temos hoje no Ocidente é limitada, pois descreve um tipo específico de exercício. Mas, para os povos antigos, o yoga era uma conexão sagrada entre corpo e alma. Seu objetivo não era malhar o corpo, mas fazer contato direto com Brahman, o espírito divino que habita todos nós. Religiões que agiam como intermediários entre Deus e a humanidade não eram necessárias. Apenas a prática era necessária. Das diversas formas de yoga desenvolvidas nos últimos 5 mil anos, o Kundalini Yoga era considerado o mais sagrado. Não sabemos qual é a origem exata do Kundalini Yoga, mas sua mais antiga menção remonta aos escritos védicos conhecidos como Upanishads (c. 1000 a.C. – 500 a.C.). Registros históricos indicam que o Kundalini Yoga era a uma ciência da energia e uma filosofia espiritual antes de a prática física ser desenvolvida. A palavra “upanishad” significa literalmente “sentar-se para ouvir os ensinamentos do mestre”. As primeiras aulas de Kundalini eram exatamente isso. Os mestres se sentavam com os alunos e faziam preleções de suas visões espirituais.

Alongar, respirar, pular, correr, dançar, gritar, entoar, meditar. Qualquer kriya de Kundalini Yoga contém uma variedade de atividades. Uma aula típica tem como estrutura o controle da respiração, a expansão da energia e o alinhamento dos chakras. Uma aula comum tem de 60 a 90 minutos de duração e é estruturada da seguinte maneira:

  1. De 5 a 10 minutos de aquecimento (geralmente com alongamentos da coluna, demonstrados pelo professor)

  2. De 30 a 45 minutos de kriya (exercícios propriamente ditos)

  3. De 5 a 10 minutos de relaxamento “savassana” (quase impossível não dormir)

  4. De 11 a 31 minutos de medição (pode incluir mantras ou mudras específicos)

Segundo a 3HO, as aulas de Kundalini Yoga devem seguir estas diretrizes:

  • Entrar em sintonia com o Adi Mantra: entoar “Ong Namo Guru Dev Namo” três vezes antes de começar os aquecimentos, os kriyas ou a meditação.

  • O Kundalini Yoga é o yoga da consciência. Ouça seu corpo; faça o que der certo para você.

  • Desafie-se a continuar toda vez que achar que chegou ao seu limite. Por exemplo, se você acha que só consegue fazer um minuto de um exercício, tente fazer um minuto e dez segundos.

  • Siga as diretrizes! Mantenha a ordem e o tipo de postura. Não ultrapasse os tempos descritos. Se quiser encurtar um exercício, encurte proporcionalmente todos os outros do mesmo kriya (isto é, reduza todos pela metade ou em quatro).

  • Durante a aula, sinta-se livre para pedir qualquer explicação sobre um exercício ou outros aspectos da prática.

  • Beba água durante os exercícios.

O que é um chakra? Toda a matéria, incluindo o corpo humano, é energia. Nosso corpo é ancorado por sete pontos energéticos chamados chakras, pequenos centros de força que alimentam nossa vitalidade. Quando um desses centros de energia está bloqueado (como o carburador de um veículo com defeito), todo o sistema para de funcionar adequadamente. Um dos propósitos do Kundalini Yoga é limpar os bloqueios dos chakras (podem ser bloqueios emocionais, mentais, espirituais ou físicos) para que a energia flua livremente.

1. Chakra da coroa (no topo da cabeça) 2. Chakra do terceiro olho (entre os olhos) 3. Chakra da garganta (na garganta) 4. Chakra cardíaco (no centro do peito) 5. Chakra do plexo solar (no ponto do umbigo) 6. Chakra sacral (na região dos órgãos sexuais) 7. Chakra raiz (na base da espinha)

“Que o eterno sol te ilumine
E todo o amor ao seu redor
E a luz pura interior Guie o seu caminho”
Canto de encerramento das aulas

 

 

 

Kundalini Yoga: kryia para a transformação da energia sexual

Em breve iniciamos mais uma turma de nosso Curso Semanal (saiba mais aqui), onde em 9 encontros, aprofundamos o conhecimento sobre os centros energéticos do nosso corpo. Aproveitamos o post de hoje para trazer alguns exercícios de Kundalini Yoga, que auxiliam no equilíbrio desses centros, os chakras. 

Em nossa cultura, somos ensinados a ver o sexo para o prazer e reprodução, mas, você sabia que ele é uma fonte importantíssima para a moderação de nossa saúde e equilíbrio nervoso? 

A experiência sexual na correta consciência pode dar a você uma experiência divina e de bem-aventurança, mas antes disso acontecer você deve recarregar sua energia e nutrir-se. Os fluidos do sêmen produzido no homem e os fluidos produzidos na mulher possuem alta concentração de minerais e outros elementos que são cruciais para o equilíbrio adequado dos nervos e do funcionamento do cérebro.

De acordo com a tradição Yogui, esses fluidos sexuais, chamados ojas, são reabsorvidos pelo corpo se são permitidos amadurecer e os minerais e elementos nutrientes são levados para o fluido espinal. Usar o seu cérebro sem os ojas é como usar um carro sem óleo, ele é desgastado rapidamente.

O principal uso da energia sexual é reparar e rejuvenescer os órgãos do corpo. Se o corpo é bem abastecido e a nutrição é bem balanceada, o yogui mantém a saúde, potência e interesse sexual durante todo o tempo de vida.  

É comum ver a potência sexual diminuir antes dos 40 anos. A prática que trazemos hoje, vai gerar energia sexual e transmutá-la em ojas para cura e contínua vitalidade sexual.

De acordo com o Kundalini Yoga, os 3 primeiros exercícios ativam o segundo chakra, o ponto do umbigo e a coluna vertebral. O exercício 3 é bom para diminuir tensõese problemas nos ovários. Os exercícios 4 e 5 move a energia do sistema digestivo. O exercício 7 distribui energia do ponto do umbigo passando pelo plexo solar para o centro do coração. O exercício 9 usa o pranayama para abrir os canais psíquicos e mover a energia da Kundalini para os chakras superiores. O exercício 10 usa a energia da kundalini no mantra para projetar a mente para o Cosmos e além da nossa consciência normal material.

KRYIA PARA A TRANSFORMAÇÃO DA ENERGIA SEXUAL

1. Posição da Cobra & Postura da Mesa

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Deitada sobre o estômago coloque as mãos embaixo dos ombros com as palmas das mãos. Estique-se em cobra alongando a coluna, levantandoo peito, soltando os ombros e alongando a cabeça. Esticando os braços inspire e levante os quadris em linha reta fora do chão. Expire e volte os quadris de volta ao chão na posição da cobra. Repita por 26 vezes. Relaxe  deitada sobre o estômago por 2 minutos.

Cante ONG na inspiração e SOHUNG na expiração. Isso vai manter o ritmo e ajudar a manter a mente focada.

ONG significa “a consciência infinita e criativa

SOHUNG significa “Eu sou Tu

2. Postura da Vaca

Com as mãos e joelhos, com as mãos na largura do ombro, dedos para frente, joelhos abaixo do quadril, incline a pelve, arqueando a coluna para baixo, pescoço e cabeça alongada para trás. Alongue para frente na expiração, permitindo os quadris e o queixo tocarem o chão. Mantenha a cabeça erguida e os braços dobrados. Inspire de volta a posição da vaca. Repita por 26 vezes.

Continue cantando ONG no movimento para frente e SHOUNG para voltar à posição da vaca.

Passe imediatamente para o próximo exercício.

 3. Levantando a pélvis

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Imediatamente sem descansar, deite de costas. Dobre os joelhos e aperte os tornozelos. As solas dos pés ficam no chão próximo dos quadris. Inspire e levante os quadris, expire e relaxe. Repita 26 vezes. Descanse por 2 minutos. Repita mais 26 vezes.

4. Imediatamente estenda as 2 pernas e as levante 18 cm do solo. Comece a respiração longa por 30 segundos. Respire forte. Comece o movimento do pistão com as pernas; traga um joelho para o peito, então o outro com cada inspiração profunda. Continue alternando por um minuto. Inspire e estenda as duas pernas para cima por 5 segundos. Relaxe.

5. Deite de costas. Traga as solas dos pés juntos e segure-os com as mãos. Balance para frente e para traz entre 30 e 45 segundos.

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6. Relaxamento profundo por 2 minutos

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7. Posição alongada: Deite de costas com os pés juntos

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8. Relaxamento Profundo: Relaxe completamente por 5 minutos deixando a energia circular. Depois de 5 minutos volte do relaxamento cantando: “Deus e Eu, Eu e Deus, somos um” 12 vezes, aumentando o tom de voz gradualmente. Então comece a cantar novamente poderosamente. Cante alto saindo do plexo solar. Mantenha os olhos fechados. Não sinta vergonha. 

Finalize inspirando e expirando 8 vezes. Então inspire e segure a respiração, levante as pernas no ângulo de 90 graus por 15 segundos. Desça as pernas e relaxe.

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 9. Sequência de Pranayama: Sente-se em Lótus. Use o polegar e o dedo mindinho de uma mão para fechar as narinas alternadamente. Não deve haver quebras nessa seqüência de pranayamas cada um deve seguir imediatamente para o próximo.

a) Inspire pela narina esquerda, expire pela direita. Medite na base na coluna e puxe mulhbanda (contraia a região do períneo e do ânus). Na inspiração imediatamente vibre Sat, na expiração vibre Naam. Continue por1 minuto.

b) Faça a respiração do fogo inspirando pela narina esquerda e exalando pela direita por 15 segundos.

c) Inspire e expire somente pela narina esquerda moderadamente rápido por 15 segundos.

d) Comece a respiração do fogo pela narina esquerda por 15 segundos, então pela narina direita por 15 segundos. Então novamente pela narina esquerda por 5 segundos e então pela direita por 5 segundos.

Para finalizar: Solte as mãos e inspire pelas duas narinas e segure por 5 segundos. Expire segurandocom o pulmão vazio por 30 segundos. Enquanto o pulmão está vazio mentalize o mantra SAT NAAM, visualize o som subindo pela coluna vertebral. Então visualize Sat descendo pelos dois lados da coluna. Então visualize Naan subindo pelo meio da coluna vertebral. Feche a mente para outros assuntos e se concentre. Agora é o momento. Inspire profundamente e expire e repita a visualização mental.

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 10. Cante esse mantra:

EK ONG KAAR NAT NAAN SAT NAAM SI REE WHAA-HAY GU ROO

Enquanto canta SAT NAAN e GURU aplique mulbandha. Gradualmente o mulbandha vai ficar mais forte e travado e se tornará fácil sustentá-lo pelo mantra inteiro. Continue cantando por 6 minutos. Finalize inspirando e segurando por 15 segundos. Expire e relaxe.

 RELAXAMENTO: relaxe deitada de costas no chão por 10 a 15 min

Fonte: Livro I AM WOMAN – Essentials kryias for woman in the aquarian age

Kundalini Yoga - Kriya para relaxar a TPM e equilibrar a energia sexual

No último post, falamos sobre algumas práticas para ativar o primeiro chakra. O kriya de hoje é focado no segundo chakra, mas como o funcionamento dos chakras não é independente envolve o equilíbrio também de outros chakras   e corpos sutis da Mulher. É ideal para relaxar a tensão pré- menstrual e equilibrar a energia sexual. 

1. Sente-se sobre os calcanhares: Estenda a perna esquerda reta para trás, ao longo do chão. Incline-se a frente e coloque a testa no chão. Coloque os dois braços para trás, ao longo das laterais e relaxe a respiração. Mantenha por 3 minutos. Então vagarosamente, levante enquanto inspira. Traga as duas pernas para baixo do corpo, sentando-se sobre os calcanhares. Repita para o outro lado, também por 3 minutos.

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2. Massagem na garganta e no pescoço: Sente-se sobre os calcanhares. Com uma das mãos massageie gentilmente os músculos de cada lado da garganta e do pescoço. Use um movimento ondular da clavícula até a mandíbula. Continue essa pressão rítmica por 2 minutos. Esse exercício é para a tireóide e para o 5º chakra.

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3. Massagem nas orelhas: Permaneça sobre os calcanhares, eleve ambas as mãos com as palmas voltadas para as orelhas.  Mantenha os dedos unidos. Crie um pequeno ângulo nos pulsos para que os dedos apontem para fora na direção oposta ao crânio. Massageie as orelhas e os lóbulos delas com as palmas. Alterne entre um movimento circular e um movimento linear de dar pancadinhas para cima e para baixo. Continue por 2-3 minutos. Inspire e gentilmente  puxe os lóbulos das orelhas para baixo e em direção oposta ao corpo. Mantenha por 10 segundos e relaxe. Isso é para estimulação linfática e para a circulação. Há pontos de meridianos na orelha que governam todas as partes do corpo. É uma massagem completa no corpo, usando somente as orelhas.

4. Torção de Tronco: Permaneça sentado sobre os calcanhares e imediatamente coloque as mãos na parte  inferior das costas. Entrelace os dedos em Trava de Vênus. Mantenha a coluna reta. Inspire profundamente enquanto gira o tronco à esquerda. Expire e gire à direita. O movimento é moderadamente lento e completo. Continue por 3 minutos. Para finalizar, inspire, expire, puxe mulbandha e concentre-se no comprimento total da coluna. Imagine a energia fluindo para cima, através do centro da coluna, rejuvenescendo e relaxando o corpo inteiro.Expire e relaxe. Este exercício é para a coluna lombar e o relaxamento da pélvis. É bom também para a eliminação.

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5. Sentar- Levantar com as Pernas Afastadas: Deite-se sobre as costas. Afaste as pernas tanto quanto possível, sem tencionar. Segure os ombros com os polegares atrás e os outros dedos à frente. Movimente a parte superior dos braços de tal forma que os cotovelos descansem sobre o solo. Mentalmente examine todos os músculos do corpo. Então, movendo-se muito devagar,  músculo por músculo, leve o tronco gradualmente para frente até que se incline totalmente, colocando a testa no chão. Mantenha essa posição com respiração relaxada por 3 minutos. Inspire profundamente enquanto volta a deitar-se e relaxe.

Gradualmente levante o tronco e incline-se à frente. Agora, incline-se em direção ao joelho esquerdo. Mantenha a posição por 1 minuto. Inspire e expire profundamente 3 vezes. Então inspire profundamente enquanto volta a posição inicial. Repita o mesmo movimento e a mesma permanência sobre a perna direita. Mantenha por 1 minuto. Inspire e expire profundamente 3 vezes. Então inspire profundamente enquanto deita.

Esse exercício é bom para o nervo ciático e suas ramificações. Fortalece o abdômen e libera as tensões causadas por ansiedade.

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6. Caminhada sobre os joelhos e cotovelos: Comece deitado sobre o estômago. Suba o corpo de forma a se equilibrar sobre as mãos e os joelhos.Eleve os calcanhares em direção as nádegas. Dobre os antebraços, com as mãos para cima em direção aos ombros. Eleve a cabeça para poder enxergar à frente. Comece a caminhar. Continue por 3 minutos. Relaxe  completamente as costas por 1 minuto. Esse exercício melhora a circulação, trabalha sobre o coração e melhora o equilíbrio mineral.

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7. Caminhar em Lótus: Sente-se na postura completa de Lótus (trave os pés sobre a parte superior das coxas, com os joelhos próximos ao chão). Coloque as mãos no chão, ao lado dos joelhos. Incline-se para a frente sobre as mãos e balance o corpo para frente. Repita o movimento para que você corra pelo solo. Continue por 3 minutos. Esse exercício abre a energia do Ponto do Umbigo, ajuda dores de cabeça e relaxa os órgãos sexuais.

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8. Postura de Plataforma de costas: Sente-se reto, com as pernas esticadas à frente. Coloque as mãos sobre o chão, atrás, e eleve os quadris até que uma plataforma seja formada com o abdômen em linha reta. Eleve a cabeça para olha à frente. Mantenha as pernas esticadas e comece a “caminhar” sobre os calcanhares e as mãos. Continue por 3 minutos. Esse exercício relaxa a ansiedade e tensão mentais e fortalece a parte inferior das costas e quadris.

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9. Relaxe: Relaxe totalmente sobre as costas. Torne-se leve e flutue nos éteres azuis. Continue por 15 minutos.

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Essa série ajusta a energia no meridiano da Circulação - Sexo. Libera a tensão dos ovários e aumenta a circulação para a região pélvica. É uma série excelente para homens: equilibra a energia sexual e ajuda a próstata.

Para as mulheres, se você vivência problemas crônicos com tensão e/ou menstruação, pratique esta série diariamente por 40 dias. Durante este período, coma uma dieta leve e beba grande quantidade de água. O ciclo menstrual é o maior evento hormonal. Os níveis de estrogênio podem mudar muito. Quando os níveis químicos variam, há mudanças correspondentes nas emoções, uma mudança na dominância dos hemisférios cerebrais e mudanças nas habilidades cognitivas- algumas melhoram, outras diminuem. Para muitas mulheres a menstruação é acompanhada por cólicas e dor.Algumas vezes isto acontece por muito pouco exercício e por tensão crescente e acumulada. A falta de movimento e de respiração fazem com que o corpo cesse seu auto-ajuste. A tensão freqüentemente cresce e fica gravada nos ovários, fazendo que se tornem rígidos e sem mobilidade. Normalmente os ovários passam por uma contração lenta e um movimento de elevação durante o mês. Se a tensão for muito elevada, este movimento é interrompido. O corpo tende a compensar com os músculos e nervos não apropriados. Isto leva à dor e a irregularidade.

Sat Nam: A história secreta do Kundalini Yoga - Parte I

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Texto adaptado do blog Shit your ego says, por James McCrae traduzido por SatBhagat Singh                                                             Extraído do blog da ABAKY - Associação Brasileira dos amigos do Kundalini Yoga

Alongamentos? Sucos e alimentos naturais? Espiritualidade pseudo-oriental? Mulheres magras usando calças apertadas antes do café da manhã?

O yoga atualmente é uma tendência urbana, cuja popularidade só cresce desde a virada para o século XXI. A ironia desse “agora” no status do yoga como atividade física popular é o fato de se tratar de uma das práticas mais antigas da humanidade. 

No mundo contemporâneo, centros refinados de yoga e estúdios de Bikran são apenas a manifestação mais recente de uma tradição de milhares de anos que vem se adaptando a culturas em constante transformação. Nações inteiras tiveram seu auge e seu declínio. Religiões surgiram e desapareceram. A maçã das ideias foi passada de Eva para Isaac Newton até chegar a Steve Jobs. Mas o yoga, de uma forma ou de outra, permaneceu.

O desenvolvimento do yoga segue paralelo ao advento da espiritualidade oriental, e – antes do poder político da religião, centralizado como conhecemos hoje – a prática era considerada um método de conexão direta com o divino. A conexão entre espírito e corpo é o fundamento do yoga (a própria palavra “yoga” deriva de um termo sânscrito para “união”), que continua sendo a prática espiritual mais antiga e duradoura feita atualmente.

Há dezenas de variações de yoga, com diferentes estilos e filosofias. Algumas formas de yoga (como o Bikram) são estruturadas como exercício físico. Outras (como o Jivamukti) são mais centradas na meditação. O Kundalini Yoga é um pouco as duas coisas, mas também se preocupa com a consciência que ativa centros de energia por todo o corpo. Se você quer uma prática física aliada a um trabalho de iluminação espiritual, seu lugar pode ser uma aula de Kundalini Yoga.

“O principal objetivo [do Kundalini Yoga] é despertar todo o potencial da consciência humana em cada indivíduo; ou seja, reconhecer nossa consciência, refiná-la e expandi-la para nosso ser ilimitado. Limpar qualquer dualidade interna, criar o poder de ouvir profundamente, cultivar a quietude interior, prosperar e fazer tudo com excelência” – Kundalini Research Institute

A despeito das filosofias religiosas mais antigas, o Kundalini não se atém a regras estritas ou dogmas. Sua natureza pura permitiu que cada geração, durante milhares de anos, encontrasse um significado pessoal nessa prática. Seu objetivo é decentralizado e abnegado – isto é, ajudar os outros a atingir seu Eu Superior.

O Kundalini Yoga não se intitula como o único caminho; ele é apenas um caminho, uma ferramenta na jornada de descoberta pessoal de cada indivíduo. “Kundalini” é uma palavra do sânscrito antigo que significa literalmente “serpente enrolada em espiral”. Na antiga religião oriental (bem antes do budismo e do hinduísmo), acreditava-se que cada pessoa possuía uma energia divina na base da espinha, a energia sagrada da criação. Todos nós nascemos com essa energia, mas precisamos nos esforçar para “desenrolar a serpente”, colocando-nos assim em contato direto com o divino. O Kundalini Yoga é a prática de despertar nosso Eu Superior e transformar energia potencial em energia cinética.

Desde sua origem, o Kundalini Yoga não era ensinado em público, mas sim tratado como educação avançada. Os alunos precisavam passar por vários anos de iniciação, preparando-se para aprender as lições de espírito e corpo dos mestres de Kundalini. Durante milhares de anos, a ciência do Kundalini Yoga permaneceu oculta, passada em segredo do mestre para um discípulo escolhido, considerado merecedor.

Ensinar Kundalini Yoga fora da sociedade secreta da elite yóguica indiana era algo impensável. Acreditava-se que as pessoas não estavam preparadas para acessar um conhecimento tão poderoso. Desse modo, o Kundalini Yoga permaneceu em segredo até o dia em que um sikh rebelde e sagrado chamado Yogi Bhajan enrolou um turbante branco na cabeça e tomou um voo só de ida partindo do Punjab, na Índia, para Toronto, no Canadá, em 1968.

Para o Kundalini Yoga no Ocidente, Yogi Bhajan é a pedra de toque, o ponto onde tudo começa. Não é exagero dizer que sem ele o Kundalini Yoga continuaria desconhecido para os ocidentais até hoje. Ao visitar a Califórnia no final dos anos 1960, Yogi Bhajan testemunhou a revolução cultural dos hippies, percebendo uma semelhança de muitos de seus princípios com aqueles de sua criação sikh. Ele notou duas coisas:

1) Como atestado pela busca pela expansão da consciência, os jovens nos Estados Unidos estavam ansiosos por experimentar Deus;

2) Ajudados por drogas e por um misticismo pobre, estavam fazendo tudo errado.

Yogi Bhajan sabia que ensinar Kundalini Yoga fora da linhagem sagrada indiana era proibido. Mas enquanto meditava num fim de semana em Los Angeles, durante uma viagem em 1968, ele teve uma visão de uma nova espiritualidade que combinava o conhecimento antigo com a prática moderna. Terminou de meditar cheio de inspiração.

Ele ensinaria Kundalini Yoga no Ocidente, proclamando: “Cada pessoa nasce com o direito de ser saudável, feliz e sagrada, e a prática do Kundalini Yoga é uma forma de reivindicar esse direito”. Sua visita a Los Angeles, planejada para um fim de semana, se transformou em residência permanente.

Nos dois anos seguintes, Yogi Bhajan fundou a 3HO (Healthy, Happy, Hole Organization) e o KRI – Kundalini Research Institute. Isso era apenas o começo. Yogi Bhajan ministrou mais de 8 mil aulas de Kundalini Yoga. Criou o primeiro programa de treinamento de professores em 1969 e ensinou pessoalmente para milhares de yogis e futuros professores. Muitos de seus alunos e alunas, incluindo Gurmukh Kaur, abriram seus próprios estúdios de yoga, e muitas aulas são dadas hoje no mundo inteiro por yogis que aprenderam diretamente com ele.

“O Kundalini Yoga é a ciência que une o finito ao infinito” — Yogi Bhajan

Cura do feminino: um fim de semana especial. O primeiro encontro da nossa Formação Vivencial

Momentos indescritíveis e inesquecíveis marcaram nossas vidas no último fim de semana, em nossa formação Vivencial. Mágica, conexão, amor, luz, união, cura, despertar, milagres.

Pudemos nos conectar com nossa essência Divina e ouvir o que a nossa intuição diz. Através de práticas de meditação, kundalini yoga, danças, ensinamentos sobre os ciclos da mulher, rituais sagrados, mantras e silêncio, acessamos um lugar sensível e muito poderoso dentro de nós mesmas.  

Cada mulher tem uma essência e um caminho próprio de realização da sua energia, da sua essência, da sua individualidade. Cada uma é diferente e única. Quando ela assume e valoriza a sua individualidade, seja qual for, expressiva e extrovertida, ou introvertida e intuitiva, ela se realiza.

Esse foi o primeiro fim de semana da Formação Vivencial da Cura do Feminino. Os retiros, que acontecem por 5 fins de semana no Espaço Arco-Íris, em São Roque, é uma oportunidade de encontro com nossa essência e a partir desse momento, a única coisa que importa é o nosso templo sagrado.

Na sexta-feira, o dia foi de boas vindas, meditação e descanso. No sábado, o dia começou com o desjejum, com chá de gengibre e suco verde. O exercício de Kundalini Yoga nos ajudou a liberar os medos e projetar a proteção pelo coração. Só depois, tomamos café da manhã. Frutas, grãos, tapioca, pães integrais. Ao longo do dia dançamos, participamos de uma aula sobre Yin e Yang e sobre os ciclos menstruais da mulher. Com os olhos fechados, exploramos a natureza e conhecemos melhor a medicina ayurvédica. No domingo, repetimos as práticas da manhã e depois nos dedicamos a dançar nossas Shaktis. Foi lindo e transformador.

Compartilhamos com vocês alguns momentos, registrados pelo olhar da fotógrafa Marcella Karmann.

Desfrutem!