Yogi Bhajan

Sat Nam: A história secreta do Kundalini Yoga - Parte II

(Texto adaptado do blog Shit your ego says, por James McCrae)

Tempos atrás, publicamos o início do post sobre a História Secreta do Kundalini Yoga. Hoje, daremos continuidade com uma sugestão de prática.

A definição de yoga que temos hoje no Ocidente é limitada, pois descreve um tipo específico de exercício. Mas, para os povos antigos, o yoga era uma conexão sagrada entre corpo e alma. Seu objetivo não era malhar o corpo, mas fazer contato direto com Brahman, o espírito divino que habita todos nós. Religiões que agiam como intermediários entre Deus e a humanidade não eram necessárias. Apenas a prática era necessária. Das diversas formas de yoga desenvolvidas nos últimos 5 mil anos, o Kundalini Yoga era considerado o mais sagrado. Não sabemos qual é a origem exata do Kundalini Yoga, mas sua mais antiga menção remonta aos escritos védicos conhecidos como Upanishads (c. 1000 a.C. – 500 a.C.). Registros históricos indicam que o Kundalini Yoga era a uma ciência da energia e uma filosofia espiritual antes de a prática física ser desenvolvida. A palavra “upanishad” significa literalmente “sentar-se para ouvir os ensinamentos do mestre”. As primeiras aulas de Kundalini eram exatamente isso. Os mestres se sentavam com os alunos e faziam preleções de suas visões espirituais.

Alongar, respirar, pular, correr, dançar, gritar, entoar, meditar. Qualquer kriya de Kundalini Yoga contém uma variedade de atividades. Uma aula típica tem como estrutura o controle da respiração, a expansão da energia e o alinhamento dos chakras. Uma aula comum tem de 60 a 90 minutos de duração e é estruturada da seguinte maneira:

  1. De 5 a 10 minutos de aquecimento (geralmente com alongamentos da coluna, demonstrados pelo professor)

  2. De 30 a 45 minutos de kriya (exercícios propriamente ditos)

  3. De 5 a 10 minutos de relaxamento “savassana” (quase impossível não dormir)

  4. De 11 a 31 minutos de medição (pode incluir mantras ou mudras específicos)

Segundo a 3HO, as aulas de Kundalini Yoga devem seguir estas diretrizes:

  • Entrar em sintonia com o Adi Mantra: entoar “Ong Namo Guru Dev Namo” três vezes antes de começar os aquecimentos, os kriyas ou a meditação.

  • O Kundalini Yoga é o yoga da consciência. Ouça seu corpo; faça o que der certo para você.

  • Desafie-se a continuar toda vez que achar que chegou ao seu limite. Por exemplo, se você acha que só consegue fazer um minuto de um exercício, tente fazer um minuto e dez segundos.

  • Siga as diretrizes! Mantenha a ordem e o tipo de postura. Não ultrapasse os tempos descritos. Se quiser encurtar um exercício, encurte proporcionalmente todos os outros do mesmo kriya (isto é, reduza todos pela metade ou em quatro).

  • Durante a aula, sinta-se livre para pedir qualquer explicação sobre um exercício ou outros aspectos da prática.

  • Beba água durante os exercícios.

O que é um chakra? Toda a matéria, incluindo o corpo humano, é energia. Nosso corpo é ancorado por sete pontos energéticos chamados chakras, pequenos centros de força que alimentam nossa vitalidade. Quando um desses centros de energia está bloqueado (como o carburador de um veículo com defeito), todo o sistema para de funcionar adequadamente. Um dos propósitos do Kundalini Yoga é limpar os bloqueios dos chakras (podem ser bloqueios emocionais, mentais, espirituais ou físicos) para que a energia flua livremente.

1. Chakra da coroa (no topo da cabeça) 2. Chakra do terceiro olho (entre os olhos) 3. Chakra da garganta (na garganta) 4. Chakra cardíaco (no centro do peito) 5. Chakra do plexo solar (no ponto do umbigo) 6. Chakra sacral (na região dos órgãos sexuais) 7. Chakra raiz (na base da espinha)

“Que o eterno sol te ilumine
E todo o amor ao seu redor
E a luz pura interior Guie o seu caminho”
Canto de encerramento das aulas

 

 

 

Sat Nam: A história secreta do Kundalini Yoga - Parte I

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Texto adaptado do blog Shit your ego says, por James McCrae traduzido por SatBhagat Singh                                                             Extraído do blog da ABAKY - Associação Brasileira dos amigos do Kundalini Yoga

Alongamentos? Sucos e alimentos naturais? Espiritualidade pseudo-oriental? Mulheres magras usando calças apertadas antes do café da manhã?

O yoga atualmente é uma tendência urbana, cuja popularidade só cresce desde a virada para o século XXI. A ironia desse “agora” no status do yoga como atividade física popular é o fato de se tratar de uma das práticas mais antigas da humanidade. 

No mundo contemporâneo, centros refinados de yoga e estúdios de Bikran são apenas a manifestação mais recente de uma tradição de milhares de anos que vem se adaptando a culturas em constante transformação. Nações inteiras tiveram seu auge e seu declínio. Religiões surgiram e desapareceram. A maçã das ideias foi passada de Eva para Isaac Newton até chegar a Steve Jobs. Mas o yoga, de uma forma ou de outra, permaneceu.

O desenvolvimento do yoga segue paralelo ao advento da espiritualidade oriental, e – antes do poder político da religião, centralizado como conhecemos hoje – a prática era considerada um método de conexão direta com o divino. A conexão entre espírito e corpo é o fundamento do yoga (a própria palavra “yoga” deriva de um termo sânscrito para “união”), que continua sendo a prática espiritual mais antiga e duradoura feita atualmente.

Há dezenas de variações de yoga, com diferentes estilos e filosofias. Algumas formas de yoga (como o Bikram) são estruturadas como exercício físico. Outras (como o Jivamukti) são mais centradas na meditação. O Kundalini Yoga é um pouco as duas coisas, mas também se preocupa com a consciência que ativa centros de energia por todo o corpo. Se você quer uma prática física aliada a um trabalho de iluminação espiritual, seu lugar pode ser uma aula de Kundalini Yoga.

“O principal objetivo [do Kundalini Yoga] é despertar todo o potencial da consciência humana em cada indivíduo; ou seja, reconhecer nossa consciência, refiná-la e expandi-la para nosso ser ilimitado. Limpar qualquer dualidade interna, criar o poder de ouvir profundamente, cultivar a quietude interior, prosperar e fazer tudo com excelência” – Kundalini Research Institute

A despeito das filosofias religiosas mais antigas, o Kundalini não se atém a regras estritas ou dogmas. Sua natureza pura permitiu que cada geração, durante milhares de anos, encontrasse um significado pessoal nessa prática. Seu objetivo é decentralizado e abnegado – isto é, ajudar os outros a atingir seu Eu Superior.

O Kundalini Yoga não se intitula como o único caminho; ele é apenas um caminho, uma ferramenta na jornada de descoberta pessoal de cada indivíduo. “Kundalini” é uma palavra do sânscrito antigo que significa literalmente “serpente enrolada em espiral”. Na antiga religião oriental (bem antes do budismo e do hinduísmo), acreditava-se que cada pessoa possuía uma energia divina na base da espinha, a energia sagrada da criação. Todos nós nascemos com essa energia, mas precisamos nos esforçar para “desenrolar a serpente”, colocando-nos assim em contato direto com o divino. O Kundalini Yoga é a prática de despertar nosso Eu Superior e transformar energia potencial em energia cinética.

Desde sua origem, o Kundalini Yoga não era ensinado em público, mas sim tratado como educação avançada. Os alunos precisavam passar por vários anos de iniciação, preparando-se para aprender as lições de espírito e corpo dos mestres de Kundalini. Durante milhares de anos, a ciência do Kundalini Yoga permaneceu oculta, passada em segredo do mestre para um discípulo escolhido, considerado merecedor.

Ensinar Kundalini Yoga fora da sociedade secreta da elite yóguica indiana era algo impensável. Acreditava-se que as pessoas não estavam preparadas para acessar um conhecimento tão poderoso. Desse modo, o Kundalini Yoga permaneceu em segredo até o dia em que um sikh rebelde e sagrado chamado Yogi Bhajan enrolou um turbante branco na cabeça e tomou um voo só de ida partindo do Punjab, na Índia, para Toronto, no Canadá, em 1968.

Para o Kundalini Yoga no Ocidente, Yogi Bhajan é a pedra de toque, o ponto onde tudo começa. Não é exagero dizer que sem ele o Kundalini Yoga continuaria desconhecido para os ocidentais até hoje. Ao visitar a Califórnia no final dos anos 1960, Yogi Bhajan testemunhou a revolução cultural dos hippies, percebendo uma semelhança de muitos de seus princípios com aqueles de sua criação sikh. Ele notou duas coisas:

1) Como atestado pela busca pela expansão da consciência, os jovens nos Estados Unidos estavam ansiosos por experimentar Deus;

2) Ajudados por drogas e por um misticismo pobre, estavam fazendo tudo errado.

Yogi Bhajan sabia que ensinar Kundalini Yoga fora da linhagem sagrada indiana era proibido. Mas enquanto meditava num fim de semana em Los Angeles, durante uma viagem em 1968, ele teve uma visão de uma nova espiritualidade que combinava o conhecimento antigo com a prática moderna. Terminou de meditar cheio de inspiração.

Ele ensinaria Kundalini Yoga no Ocidente, proclamando: “Cada pessoa nasce com o direito de ser saudável, feliz e sagrada, e a prática do Kundalini Yoga é uma forma de reivindicar esse direito”. Sua visita a Los Angeles, planejada para um fim de semana, se transformou em residência permanente.

Nos dois anos seguintes, Yogi Bhajan fundou a 3HO (Healthy, Happy, Hole Organization) e o KRI – Kundalini Research Institute. Isso era apenas o começo. Yogi Bhajan ministrou mais de 8 mil aulas de Kundalini Yoga. Criou o primeiro programa de treinamento de professores em 1969 e ensinou pessoalmente para milhares de yogis e futuros professores. Muitos de seus alunos e alunas, incluindo Gurmukh Kaur, abriram seus próprios estúdios de yoga, e muitas aulas são dadas hoje no mundo inteiro por yogis que aprenderam diretamente com ele.

“O Kundalini Yoga é a ciência que une o finito ao infinito” — Yogi Bhajan